Após morte, torcedores marcam novo confronto



Nesta sexta-feira, dia seguinte à morte do botafoguense Vinicio José Ribeiro da Fonseca, 22 anos, integrantes de torcidas organizadas da capital fluminense já programam, por meio do site de relacionamentos Orkut, o próximo confronto para domingo, dia de Flamengo x Botafogo - jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. Tentando evitar que a onda de violência se espalhe, a Polícia Civil vai pedir ao Ministério Público Estadual a extinção de todas as facções de torcedores da cidade.

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Vinicio morreu baleado no peito em tiroteio envolvendo torcidas do Botafogo, Vasco e Fluminense, poucas horas antes do início do jogo entre os times alvinegro e tricolor, no Maracanã, no Rio de Janeiro, pela Copa Sul-Americana. Ele foi enterrado ontem no Cemitério do Irajá.

O primeiro passo para viabilizar o pedido de extinção das organizadas será indiciar por homicídio e tentativa de homicídio torcedores do Botafogo e Fluminense que incitaram o tumulto de quinta-feira, também por meio do Orkut. Para identificá-los, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática entrou no caso, com o apoio da Delegacia de Homicídios.

Integrantes da Fúria Jovem Alvinegra contam que, no dia dos confrontos, seguiam em três ônibus pela rua Arquias Cordeiro, Engenho Novo, escoltados por carro da PM, quando foram atacados por tricolores na esquina da Rua Marques de Leão, no bairro. Torcedores do Fluminense dizem que desciam por essa via, próxima à sede da Young Flu, que fica na Rua Sobral, e encontraram cerca de 300 botafoguenses, na esquina da Rua Frei Fabiano. Ontem, na vizinhança, havia cacos de vidro, restos de morteiros e cápsulas de balas, além das marcas de tiros nas paredes.

Segundo o delegado Ronald Hurst, da 25ª DP (Rocha), ainda não é possível dizer quem começou a briga. Ele quer saber por que os ônibus da Fúria passaram pela Arquias Cordeiro em vez de seguirem a partir da Leopoldina, ponto de encontro para a escolta. Também apura participação de torcedores no roubo de um Celta, levado pouco antes no Méier e queimado na confusão. A proprietária do carro, Sônia Mendes disse, que foi atacada por dois homens armados na rua Carolina Méier.

Testemunha do confronto, o frentista Luciano Gonzaga disse ter visto os ônibus bloquearem a rua, deixando a escolta para trás. Os dois PMs ainda teriam tentado conter o tumulto, dando tiros para o alto. Cápsulas de fuzil foram encontradas por moradores. O delegado vai encaminhar ofício ao 3º BPM (Méier) para saber se os ônibus foram escoltados.

Apontado por botafoguenses como um dos ocupantes do Celta que teria feito disparos, o presidente da Young Flu, Leandro de Carvalho Moraes, o Campinho, depôs ontem à polícia. Ele disse que, na hora da confusão, fechava a sede da torcida e, ao ouvir tiros, escondeu-se na casa de vizinhos. Leandro responde em liberdade por tentativa de homicídio, em 2002, a torcedor do Vasco.

Um dos diretores da Fúria Jovem, que estava num dos ônibus, disse que a torcida sofreu emboscada, mas que não haverá retaliação. "Solicitamos ao Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios) reforço na escolta para jogo contra o Fluminense, quinta-feira".
O Dia

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